Viagem

Pedal na Serra da Canastra

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Se você quiser fazer um pedal difícil, mas com belas paisagens, cachoeiras, subidas longas, íngremes e descidas de muita adrenalina, a Serra da Canastra é o lugar ideal.

O Parque Nacional da Serra da Canastra está localizado em Minas Gerais e foi criado em 1972. Três municípios tem parte de sua área como parte do parque, Delfinópolis, Sacramento e São Roque de Minas. O objetivo da criação do parque foi a preservação de nascentes importantes como a do Rio São Francisco. É nesse chapadão que nasce um dos rio mais importantes do nosso país. A vegetação é de cerrado e o relevo acidentado, possibilitando a formação de várias cachoeiras e paisagens panorâmicas belíssimas. E o mais legal disso tudo é que você pode conhecer esse lugar pedalando!!!

Nós optamos por ficar hospedado na cidade de Delfinópolis. Pra quem está em São Paulo, o acesso a Delfinópolis se dá através da cidade de Cássia. Depois de atravessar a cidade você pega uma balsa que te deixa praticamente dentro de Delfinópolis.

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Saímos na sexta de manhã de Nova Granada, eu Bilivis e Serginho,  e fomos encontrar os companheiros em Icem, Ilsinho e Pires. O Marcha Lenta iria só depois do trampo com sua motoca. A gente já estava levando a bike dele na camionete. No caminho nos encontramos com o Alessandro, que estava vindo de Rio Preto, e seguimos tranquilo rumo as montanhas da Serra da Canastra.

Chegamos por volta das duas da tarde em Delfinópolis. Como já tínhamos parado para almoçar, deixamos as coisas no hotel e fomos fazer um pedal pra diminuir a ansiedade. Já nesse primeiro pedal pegamos uma subida de mais ou menos 08 km. É o caminho que passa pelo Camping da Pedra e o acesso a cachoeira do Paraíso. Eu já tinha ido pra Delfinópolis uma vez e acampado nesse camping. Em um acesso ao lado dele você pode conhecer algumas cachoeiras, na verdade cinco delas. Conforme você vai subindo você vai passando em uma por uma. Mas nós não entramos pra ver nenhuma. A gente queira pedalar.

Conforme subíamos a gente parava, tirava fotos e apreciava a paisagem, fizemos também algumas imagens em vídeo, e quanto mais a gente subia mais a gente queria subir. Com isso a sol ia abaixando. Até que resolvemos descer. Era a hora de curtir o vento na cara e deixar a bike somente girar com a força da gravidade. O vídeo dessa descida ficou muito legal. O sol ficou de frente com a gente, então, em vários momento, a bike do Ilsinho, que descia ao meu lado com mais velocidade, passa na frente do sol e se forma uma silhueta. A descida foi longa e muito veloz. O cuidado tem que ser grande, pois há muitas pedras no local e um tombo ali pode machucar gravemente. Chegamos no camping e paramos para pegar água. Conversamos com os camaradas que tomam conta do local e eles falaram pra gente que tinha um atalho depois do camping que dava acesso a estrada principal que tínhamos que pegar para a cidade. Decidimos passar pelo atalho e, pra nossa surpresa, o local é uma trilha fechada que sai de frente com um riacho. Simplesmente maravilhoso. Algo que não esperávamos e deixou o passeio ainda mais legal. Eu não podia deixar de fazer um vídeo dessa trilha. Nele você tem uma noção bem legal de como que é o local.

Chegamos no hotel depois de rodar somente 25 km. Parecia muito mais enquanto a gente pedalava. Fiquei pensando no pedal do dia seguinte. Não vai ser fácil. Mas acho que vai valer muito a pena. Tomamos um banho e fomos jantar. Quando estávamos indo embora pro hotel chega nosso amigo Marcha Lenta com sua motoca. Meu Deus, esses caras são tudo malucos. Olha só que loucura fazem pra poder curtir um pedal de sofrimento nas montanhas!!!

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Acordamos as seis da manhã em um dia de céu limpo e com uma brisa gelada que ficou difícil sair sem uma blusa. Já começamos arrumar nossas coisas e fomos tomar o café da manhã. Ficamos de encontrar o pessoal de Frutal que topou fazer o pedal com a gente. Eles chegaram na sexta a noite e ficaram em uma pousada fora da cidade. Eles chamaram um camarada que mora na cidade e trabalha como guia pra ciclistas. Seu nome é Wilson. Um camarada simples que está super acostumado a pedalar naquelas subidas. No começo eu achei que não fosse necessário pagar alguém pra guiar a gente. Confesso que estava enganado. A presença do nosso novo amigo foi fundamental pra fazermos um passeio de sucesso. Então fica a conselho pra quem está se aventurando pela primeira vez na Canastra. O fone dele é (35) 99700.6678.

Pegamos o mesmo caminho que tínhamos feito no dia anterior e começamos a subir. Até parecia que estava mais fácil subir naquela hora. Talvez por ter feito no dia anterior, a gente já sabia o que iria encontrar, então passamos essa parte super tranquilo. Mais ou menos 01 km depois do lugar que a gente tinha voltado, chegamos num mirante ainda mais legal do que aquele que vimos antes. Fizemos as fotos e continuamos. Logo depois passamos pelo Condomínio de Pedra. Esse lugar é muito bacana, você passa no meio de um grade amontoado de pedras que até parece uma cidade antiga e abandonado. Dá pra subir nelas e ver a paisagem lá de cima. Depois disso continuamos e enfrentamos todos os tipos de subidas, íngremes mais longas e mais curtas e menos íngremes também longas e curtas. Muita gente reclama dessas subidas. Eu já gosto delas. Depois que você cria um ritmo você pedalar devagar e de forma continua até chegar lá em cima. Não é ruim. E depois de uma subida você tem sempre uma paisagem legal pra ver e o melhor de tudo, uma descida que você pode solta a magrela e se aventurar com emoção.

Nosso destino inicial era a Pousada da Vanda. A Vanda ficou conhecida pelos motoqueiros que fazem trilhas por lá. Eles param pra almoçar na pousada dela e hoje o local é um ponto de encontro. Mas nossa ideia era voltar pra cidade, e não dormir por lá. Como a pousada fica a 45 km da cidade, o total daria 90 km. Estávamos em 18 bikes, então o ritmo de pedal varia bastante. Nosso guia conversou com a gente e falou que naquele ritmo chegaríamos muito tarde de volta. Com isso, resolvemos mudar nossa rota e rumamos para a cachoeira do ouro. Depois de 35 km pedalados chegamos na cachoeira. Enquanto o Baiano, proprietário do local, fazia o rango pra gente, fomos conhecer a queda d’água. A água estava extremamente gelada. Alguns encararam um mergulho, outros só se molharam até a cintura. Eu consegui dar um mergulho num local onde o sol estava batendo, então a água não estava tão gelada como na sombra.

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Depois do almoço alguns deitaram nas redes que tinham lá, outros no chão mesmo. Todos descansamos um pouco pra continuar os 33 km que faltavam até a cidade. Nesse trecho depois do almoço ainda passamos por lugares lindos. Pedalamos em um trecho mais plano que de um lado fica as montanhas do parque, mais rochosa e com grandes paredões, e do outro as montanhas que atravessamos para chegar até aquele ponto, com mais árvores e mais arrendondadas. Passamos por riachos, pegamos água em pequenos córregos, enfrentamos mais subidas e soltamos a bike em descidas incríveis. Fomos chegar na cidade já eram seis hora da tarde. Pedalamos o dia inteiro. Todos já estavam cansados e felizes de ter percorrido tudo aquilo. Foi muito lindo fazer esse pedal. Uma viagem inesquecível.

Planejar uma viagem dessas é sempre muito bom pra deixar seu passeio mais agradável. Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro a chuva é praticamente diária. Eu já passei por essa região nessa época e tive que ir embora pra aproveitar as férias em outro lugar. Não parava de chover e fiquei sem saber o que fazer por lá. Além do mais, não é aconselhável entrar nas cachoeiras nessa época do ano. O risco de tromba d’água é muito grande. Mesmo que não esteja chovendo no lugar que você está, a água pode se acumular em um lugar que teve chuva a quilômetros dali. Com isso ela vem descendo o rio varrendo tudo pela frente. Os meses de inverno você praticamente não vai pegar chuva, porém as manhãs e as noites são muito geladas e as águas das cachoeiras parecem que vão te congelar. O clima também fica muito seco e queimadas são comuns todos os anos. Inclusive nos passamos por um trecho desses e o cenário e desolador. Com essa falta de chuva a poeira de terra que sobe das estradas é muito grande. Se você tem duas ou três bicicletas descendo uma ladeira na sua frente, a poeira que levanta é tão grande que você não consegue enxergar o chão. Você acaba tendo que praticamente parar a bike pra deixar a poeira baixar. O risco de bater em uma pedra ou pegar um buraco fica muito grande. Então, espere a poeira baixar. São apenas alguns segundos que fazem a diferença.

Outra dica importante é entrar em contato com o Wilson. Você vai se sentir muito mais seguro dentro da serra. Ele conhece todos os caminhos sabe todos os lugares que tem pra pegar água e é uma boa companhia. Caso contrário pedale com um GPS e baixe mapas do local.

Espero que você faça um bom pedal e termine ele feliz igual a gente. Nós já estamos pensando no próximo. Desta vez a gente vai dormir la em cima na serra. Não vejo a hora!!!

Abraços e boas pedaladas.

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Sobre andandodebike

Olá, meu nome é Mauricio Gouveia, sou ciclista e fotógrafo e nesse Blog vou contar um pouco pra vocês sobre os lugares que eu pedalo e, dessa forma, quem quiser pedalar nesses lugares terá um pouco de informação de como chegar, por onde começar, distancias, dificuldades e outros detalhes. Ajudem a compartilhar e divulgar esse Blog pra que mais pessoas aproveitem as dicas e peguem suas bikes pra fazer essas pedaladas que são muito bacanas e faz muito bem pra vida. Espero que gostem e por favor comentem e deixem recados pra me ajudarem a construir um lugar interessante de informações pra quem quer se divertir de bicicleta. Abraços. Mauricio Gouveia

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12 Comments

  1. Roberto Loli

    3 de agosto de 2016 at 20:27

    Estou querendo fazer esse role, estava lendo seus comentários e fiquei ainda mais empolgado,

    • andandodebike

      7 de agosto de 2016 at 15:47

      Fala, Roberto… se organize e planeje uma viagem para lá que vale muito apena. Obrigado por acompanhar o blog. Grande abraço!!!

  2. Mayra

    30 de setembro de 2016 at 09:13

    Muito legal! estou querendo fazer esse pedal, porém saindo de São Roque de Minas, o que voce acha?

    • andandodebike

      4 de outubro de 2016 at 08:39

      Olá, Mayara! Eu conheço São Roque e Minas, porém não de bike… eu acho que se você conseguir subir a serra pela portaria e chegar até a nascente do rio São Francisco, irá fazer um pedal muito legal… Vai lá sim que tenho certeza que você vai curtir muito.
      Grande Abraço e boas pedaladas!

  3. RICARDO ALEXANDRE SILVA SALLES

    27 de outubro de 2016 at 11:14

    Bom dia!!!
    Estamos organizados para pedalar na Serra da canastra no começo de dezembro.
    Se alguns de vcs estiverem interessados vamos ficar em Delfinópolis.

    Abraço

    Bom pedal

    • andandodebike

      3 de dezembro de 2016 at 10:33

      Valeu, Ricardo… em dezembro o pessoal aqui está um pouco enrolado… mas obrigado pelo convite!

  4. Ana Keyla Polli

    25 de abril de 2017 at 19:03

    Olá Mauricio! Adorei o blog, e me diz uma coisa: É fácil encontrar pessoas para pedalar lá?
    Provavelmente irei sozinha e gostaria de fazer amigos de pedal, para ter companhia e conseguir aproveitar melhor as trilhas.
    Muito obrigada por compartilhar essas imagens super motivacionais!
    Um abraço.

    • andandodebike

      28 de maio de 2017 at 17:32

      Olá, Ana! Nesse pedal que eu fui não encontramos mais ninguém pedalando. Porém, um camarada de lá que pedalou com a gente disse que sempre tem gente fazendo esse pedal.

  5. Fábio Laguna

    27 de abril de 2017 at 11:50

    Muito bacana seu relato Maurício. Em novembro fiz meu segundo rolê solo de bike pela canastra. Fui do Glória à Vargem Bonita pelos Canteiros passando pela Cascadanta… 120k.. Semana que vem pretendo fazer meu terceiro rolê, partindo de São Roque. Nunca quero ir sozinho, sei que não é recomendado, mas não acho parceiro. Vamo???

    • andandodebike

      28 de maio de 2017 at 17:30

      Rapaz, esse ano estou um pouco enrolado com um trampo fixo. Mas, obrigado pelo convite!

  6. Sávio

    22 de janeiro de 2018 at 18:43

    Amigo, show seu relato, vamos na terça de carnaval, a idéia é dormir ali perto da Vanda e voltar no dia seguinte. Você teria os tracks deste percurso?

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