Viagem

Santiago de Compostela

em

Depois de 20 anos que eu tive meu primeiro contato com o Caminho de Santiago de Compostela, através do livro do Paulo Coelho, pude finalmente percorrer essa rota milenar com minha bicicleta.

Eu vou tentar resumir pra vcs aqui como foi esse pedal e logo em seguida você pode assistir ao vídeo da minha viagem.

Sai de SP dia 02/05/2016 levando minha bicicleta, meu alforge e mais uma bolsa com destino a Madri. Cheguei em Madri as seis e meia da manhã do dia 03 e peguei um metrô para estação Atocha de trem. Depois disso eu viajei algumas horas até a cidade de Pamplona. Esse trecho de Madrid a Pamplona eu fiz junto com mais cinco brasileiros que também iam fazer o caminho de bike. Pra finalizar a longa viagem eu peguei um ônibus até San Jean Pied de Port na França, ponto de partida para a minha peregrinação.

04/05 – San Jean à Roncesvalles – 27 km

Depois de dormir a primeira noite em um albergue, e não dormir direito, sai para carimbar minha credencial e subir os Pirineus. No local onde a gente carimba a credencial eu conheci dois Brasileiros de Curitiba, o Carlos e o Jefferson. Começamos a pedalar juntos pelo caminho de Napoleão com destino a Roncesvalles.

Muitas pessoas falam pra não fazer esse trecho de bicicleta. Falam que é muito ruim e que não tem como passar direito. A verdade é que é possível fazer de bike sim. Em alguns pontos você vai ter que empurrar ela e em outro, com um piso muito irregular, você quase tem que carregá-la, mas esse trecho é pequeno, não passa de 50 metros e a descida depois pra chegar em roncesvalles é muito legal.

O lugar que você vai dormir é um prédio que em 1127, o então bispo de Pamplona, a mando de D. Afonso I de Aragão, fundou a instituição hospitalar de Roncesvalles para receber todos os peregrinos que atravessavam os Pirineus. Hoje o prédio é um patrimônio cultural e continua recebendo todos os peregrinos do caminho.

05/05 – Roncesvalles à Pamplona – 45 km

Neste dia pedalamos poucas subidas e pegamos uns trechos de descidas bem longas. Andamos alguns trechos pelo asfalto, mas a maioria foi pelo caminho dos peregrinos. Passamos por um pueblo (cidade muito pequena) chamada Zubiri, onde tem uma ponte medieval, a primeira que eu vi de várias. Fiquei encantado. Aqui você começa a perceber o estilo das cidades, com casas e igrejas de pedra e ruas estreitas.

Chegamos em Pamplona. Uma cidade fantástica. Gostei demais. De todas as cidades maiores que eu passei, Pamplona foi a mais bacana. Acabei tendo uma ideia de fotografar as fachadas dos prédios do centro, próximo do albergue onde eu dormi. Eu e meus dois amigos de Curitiba ainda estávamos pedalando juntos. Saímos para jantar e fomos num restaurante onde os dois já haviam comido alguns dias antes na viagem deles para San Jean. Pedimos um menu peregrino para cada um. O menu peregrino é servido da seguinte maneira. Você escolhe dois pratos e a sobremesa. Com eles vem um acompanhamento de pão, uma garrafa de água e uma garrafa de vinho. Então eles te servem o primeiro prato, depois que você termina é que vem o segundo e por fim a sobremesa. Simplesmente fantástico.

06/05 – Pamplona à Villatuerta – 50 km

Saímos de Pamplona cedo e ainda dentro da cidade encontramos os cinco brasileiros que eu já havia encontrado no aeroporto em Madrid e na noite anterior depois do jantar. Pedalamos juntos até Zariquiegui. A partir daí continuamos, eu e meus amigos de Curitiba, a grande subida até o Alto do Perdão. Esse trecho é aquele que tem a famosa homenagem para os peregrinos. São 14 esculturas em ferro com formatos de peregrinos andando pelo caminho, algumas delas mostram o peregrino em um cavalo e outra em um burro, mas infelizmente não tem nenhuma que mostra o peregrino de bike. Foram construídas em 1996 a pedido da empresa que instalou o parque eólico bem próximo dali. Mesmo assim é muito bacana.

Logo depois a gente passa pelo pueblo de Puente de La Reina. O lugar tem esse nome porque a décadas atrás o rei e a rainha pediram para construir essa ponte por sobre o rio Arga que corta a cidade somente para os peregrinos poderem passar.

É aqui que mora uma brasileira, Natalia, que tem um albergue chamado Estrela Guia. Quando eu preparava minha viagem eu fiquei sabendo de alguns brasileiros que estão morando e trabalho no caminho. Então eu decidi fazer um mini documentário com esse pessoal. Eles estão sendo conhecidos agora como Brasucas no Caminho. Conversei com a maioria deles e pude fazer um pequeno trabalho em homenagem a todos.

Foi nessa hora que meus dois amigos Curitibanos decidiram continuar o caminho deles. Eu conheci a Natalia, porém eu não fiquei no albergue dela. Como ainda era cedo e eu já tinha pedalado dois dias abaixo da minha média planejada, resolvi continuar e acabei por dormir em um pueblo chamado Villatuerta.

07/05  – Villatuerta à Sotés – 75 km

Este dia foi o primeiro dia de chuva que eu peguei. Eu vinha pedalando pelas trilhas e acabei chegando na cidade de Viana, molhado e com frio. O vento estava muito forte e gelado. Isso fez com que eu ficasse com bastante frio mesmo. Mas meu erro foi ter tirado a capa de chuva na hora que eu parei na frente da catedral. Apesar de estar protegido da chuva, meu corpo estava molhado de suor, e isso fez com que eu ficasse com frio depois de começar a tomar esse vento. Quando eu me preparava para pegar uma roupa seca, meus dois amigos de Curitiba chegam na Catedral também. Eu achei que eles já estavam bem a frete, mas não, eles saíram muito tarde e eu acabei passando eles.

Entrei na catedral e troquei minha roupa molhada. Essa é mais umas das lindas construções religiosas que você encontra pelo caminho.

Depois de Viana a chuva parou e nós continuamos pedalando juntos até Logroño, eu, o Carlos e o Jefferson. Na continuação e acabei me distanciando um pouco a frente dos dois. Parei para esperar um pouco e eles não apareceram. Achei que podiam ter parado em algum lugar e continuei meu pedal. Depois disso não encontrei mais meus amigos até o fim do caminho.

Neste dia eu parei para dormir em Sotés depois de não conseguir cama na cidade de Navarrete. O caminho nessa época é muito cheio e os albergues ficam lotados. Mas não poderia ser melhor. O lugar que eu dormi foi uma casa de família que disponibiliza alguns quartos com beliches. Pude lavar minha bike que estava imunda, minha roupa que também estava precisando, e pude interagir com uns koreanos, um ciclista italiano, uma australiana e duas uruguaias.

08/05 – Sotés à Viloria de Rioja – 52 km

A partir daqui decidi que não pedalaria mais pelas trilhas caso tivesse chovendo. Minha bicicleta ficou muito suja e minhas roupas também. Não é legal chegar sujo assim no albergue e não é tão simples ficar lavando a bike de lama e barro durante a caminho.

Como amanheceu garoando já sai pedalando pelas Carreteras, mas logo parou e eu pude pegar alguns trechos de trilha. Mas o dia de forma geral foi dividido entre o asfalto e as trilhas, eu diria que meio a meio. Conheci mais cidades, igrejas e catedrais. Uma mais linda que a outra.

Meu destino era a cidade de Viloria de Rioja, onde o Acácio, brasileiro que está a 17 anos no caminho, tem seu albergue. Minha intenção era conhecê-lo e poder fazer algumas imagens com ele para o mini documentário dos Brasucas no Caminho. Pena que eu não pude dormir no seu albergue, que estava cheio. Mas fiquei em um lugar quase ao lado e pude conhecer mais gente do mundo todo na hora do jantar.

09/05 – Viloria de Rioja à Rabé de las Calzadas – 77 km

Neste dia, apesar de não pegar chuva, peguei bastante vento gelado. Nas descidas não foi fácil.

Passei por uma das maiores cidades do caminho. A cidade de Burgos. A catedral começou a ser construída em 1221 e é dedicada a Virgem Maria. Ela é simplesmente impressionante, imponente, bonita, cheia de detalhes na sua arquitetura de estilo gótico. Mas eu não entrei nela, uma pena. Além de precisar pagar eu não tinha onde deixar a bicicleta, já que eu estava sozinho. E se eu a prendesse em algum lugar, todas minhas coisas estavam nela, e eu não ia desmontar tudo e carregar pra dentro da catedral.

Continuando o caminho, passei por um trecho de muita pedra. Aliais, era somente pedra. Além das pedras soltas, o solo era de pedra também. Todas irregulares e impossível de pedalar. Sem contar que era de subida.

Cheguei em Rabé de las Calzadas e pude participar de uma oração para os peregrinos em uma pequena capela próxima ao albergue. Isso depois do jantar, que foi em uma mesa com três franceses. Um deles falava inglês e outro italiano. Então fomos nos comunicando de forma precária, porém engraçada e interessante.

10/05 – Rabé de las Calzadas à Ledigos – 99 km

Dia tranquilo e sem subidas. De Burgos a León existe um trecho de, mais ou menos, 180 km que é plano e a gente consegue desenvolver bem sem muito esforço. Eu tinha uma meta de pedalar no mínimo 50 km por dia. Eu estava dentro dessa meta, porém resolvi ganhar alguns quilômetros para, se necessário, poder parar um dia em algum lugar, principalmente em Santiago ou Finisterra.

Mas, meu dia tranquilo foi interrompido por uma inesperada situação. Depois de alguns quilômetros pedalando e entro em um trecho de barro sem ter outro caminho para seguir. Comecei pedalar devagar pra não espirrar muito barro na bike e nas minhas coisas. Mas esse barro começou a grudar de uma forma nos pneus da bike que eu nunca tinha visto antes. Com isso, esse barro começou a acumular entre as partes do pneu que passam pelo quadro e pela suspensão. Era um barro tão pegajosos que não saia, o que acabou travando a bicicleta. Tive que pegar ela no braço para tirá-la desse barro e levar para um lugar onde eu poderia tentar limpa-la. Passei alguns minutos tentando tirar esse barro e graças a Deus quando eu cheguei na cidade seguinte tinha um bar com uma área para lavar a bike. Passei uma hora limpando ela.

Então eu pedalei até a cidade de Ledigos onde mais um brasileiro trabalha tomando conta de um albergue. O Zé Fagundes é um cara muito bacana que me recebeu extremamente bem. Pude conversar com ele e fazer as imagens para o mini doc. O albergue estava cheio, então eu Dormi em uma sala com lareira muito confortável e agradável onde o Zé montou uma cama pra mim. Foi a primeira noite que dormi sozinho durante o caminho. Sem ninguém roncando ou fazendo barulho com as mochilas ou nos beliches.

11/05 – Ledigos à Mansila de Las Mulas – 56 km

Sai de Ledigos de manhã cedo, mas sem muita pressa. Somente 15 km depois está o pueblo de Sahagún onde o Eduardo comprou um hostal para trabalhar. É mais um brasileiro que está pelo caminho. Parei em seu hostal e pude conversar com ele e fazer as imagens que eu precisava. Passei boa parte da manhã lá. O hostal também tem um bar que serve pequenas refeições, chamadas bocadillos, para os peregrinos, então ele fica bem ocupado servindo o pessoal.

Continuei meu caminho e resolvi dormir em Mansila. Eu estava sentido um desconforto no joelho direito e por isso resolvi não forçar muito esse dia. O albergue fica em cima de um restaurante onde pude passar parte da tarde, depois de conhecer um pouco da cidade, e conversar com uma turma de espanhóis, que hora eu entendia alguma coisa, hora eu não entendia nada. Foi divertido.

12/05 – Mansila de Las Mulas à Astorga – 83 km

Esse dia foi mais um dia que eu peguei chuva e vento gelado. Mas eu não passei tanto frio quanto o do outro dia. Mas eu tive que colocar um saco plástico dentro do tênis e nas mãos para evitar molhar e tomar o vento.

Esse trecho era o dia que eu iria passar por León, então eu decidi que iria comprar alguma coisa para proteger minhas mãos e pés. Encontrei uma loja onde eu poderia comprar o que eu queria, mas ela estava fechada. Fiquei esperando ela abrir e o frio me pegou. Consegui próximo dali um bar onde pude me abrigar, tomar alguma coisa quente e ficar de olho na bike.

Comprei uma luva impermeável e uma proteção também impermeável para meu tênis. Com isso ficou muito mais fácil pedalar.

Cheguei na cidade de Astorga. O primeiro albergue que eu encontrei tinha lugar cama disponível e eu resolvi ficar por ali mesmo. Era o albergue municipal de Astorga. Eu não podia ter escolhido melhor. O albergue é muito legal, e como pode abrigar bastante peregrino, você interage com várias outras nacionalidades. Fiz um vídeo dele que está disponibilizado na página do Andando de Bike no You Tube. Vale a pena conferir.

13/05 – Astorga à Ponferrada – 55 km

Hoje foi dia de subir a montanha que passa pela Cruz de Ferro. É a mais alta do caminho. Lá eu deixei um terço em homenagem e proteção aos amigos que andam de bike comigo onde eu moro.

A subida foi feita por asfalto com um vento muito forte e muita neblina, principalmente lá no alto. Passei uns trinta minutos fotografando e curtindo a Cruz de Ferro, que está em cima de um tronco de madeira de uns cinco metros sobre uma grande porção de pedras. A cruz é um dos monumentos mais simples do caminho, porém muito emblemático. Ela foi colocada neste local para orientar os peregrinos em dias de nevasca.

Descendo a montanha eu passei pelo Hostal de mais um brasileiro. Pude conhecê-lo e fazer as imagens que eu precisava. De lá eu parti para pedalar mais um pouco e acabei por encontrando um albergue turístico na cidade de Ponferrada. O albergue fica a menos de quinhentos metros do Castelo dos Templários, um lugar que me deixou muito emocionado de conhecer.

14/05 – descanso em Ponferrada – 00 km

Meu joelho não estava legal. Decidi que ficaria descansando neste dia. O albuergue tinha um lugar pra eu poder lavar minha bike, um quarto com poucas camas, internet de qualidade e uma ambiente social que eu poderia passar algumas horas descansando e tratando do meu joelho com uma bolsa de gel, que pode ser colocada no congelador, e que ele disponibilizaram para mim.

Sem dúvida acertei na escolha.

15/05 – Ponferrada à La Laguna – 54km

Meu joelho não estava 100% mas estava quase. Decidi que iria pedalar até o pé do monte do Cebreiro e iria para. Dessa forma poderia subir no dia seguinte descansado. Mas não foi o que aconteceu. Chegando no lugar que eu deveria parar, eu estava me sentido bem e continuei o pedal. A subida do Cebreiro pelo asfalto não é tão difícil quanto eu imaginava. Então eu pude subir quase a montanha toda. Encontrei no caminho, na cidade de La Laguna, um albergue bacana que resolvi ficar.

Nesse albergue eu pude conhecer uma senhora de uns sessenta e poucos anos que saiu caminhando da sua casa na Suíça e estava a cem dias fazendo a peregrinação. Ela já tinha percorrido 2050 quilômetros e iria concluir sua jornada em Santiago de Compostela com 2200 quilômetros. Carregando a mochila e com um sorriso no rosto.

16/05 – La Laguna à Marcadoiro – 70km

Com dois quilômetros de pedal eu entro na região da Galícia e chego ao pueblo do Cebreiro. Pude ter uma visão privilegiada no alto da montanha com as nuvens abaixo de mim. Passei uns quarenta minutos fotografando e curtindo o local.

Desci tudo pelo asfalto com um vento muito gelado me cortando apesar do sol que fazia. Foi uma descida muito bacana e que me trouxe uma sensação de liberdade imensa.

Parei em um pueblo num albergue a beira da carreteira. O lugar era agradável e tinha um restaurante na parte de baixo. Mesmo assim, depois do banho e sai pra dar uma volta e verificar se tinha mais algum lugar interessante para comer. A poucos metros dali encontro outro albergue também com um restaurante. Entro, dou uma olhada no local e encontro uma coleção de máquinas fotográficas que me deixa encantado. Sem querer eu me deparo com aquele monte de máquinas e acessórios de fotografia de diversas épocas. Passei mais uns quarenta minutos La dentro vendo cada detalhe que eu podia.

17/05 – Marcadoiro à Boente – 52km

Essa região da Galícia que a gente entra no alto do Cabreiro, aos poucos vai ficando cada vez mais verde e com muita água pela trilha. Muitas propriedades que cuidam de gados também se vêem por essas bandas. Esses dias têm sido mais tranquilos e só faltam cem quilômetros para eu chegar em Santiago. Então resolvi pedalar em uma velocidade média mais baixa e fazer metade do caminho. Encontrei esse albergue em um pueblo de apenas uma rua. O lugar era agradável e também tinha um restaurante.

No jantar montaram uma grande mesa para todos sentarem juntos. Eu fiquei próximo a um australiano, um casal de franceses, um espanhol, uma alemã e mais uma senhora que não me lembro a nacionalidade. Conversamos muito e demos muita risada. Foi um belo jantar.

18/05 – Boente à Santiago de Compostela – 49km

Hoje é meu dia de chegar em Santiago. Foi mais um dia de pedalada leve e tranqüila. Meu joelho estava bem e eu estava feliz por ter a certeza que eu iria concluir minha viagem e conhecer Santiago de Compostela. Mas, chegando na cidade fiquei um pouco desapontado e assustado. A cidade é muito maior do que eu esperava. Você acaba chegando por uma grande avenida com muitos carros, semáforas e gente. Logo um rapaz vai parar seu carro e bate em outro estacionado e um barulhão toma conta do local. Ele já sai do carro preocupado com o carro dele e nem olha para o carro estacionado. Você pede informações para as pessoas e já não é tão bem recebido.

Chego no centro histórico e vejo uns pedintes, com pequenos potes na mão pra você colocar moedas. Algumas bancas hippie também fazem parte do cenário. Muita gente andando pelas ruas estreitas e caravanas de turistas sendo orientados por um guia. Bem diferente do que eu imaginei.

Chegando na catedral, ela infelizmente está rodeada de andaimes para um restauração que já dura algum tempo e ainda vai levar mais um pouco pra terminar. Mais isso eu já esperava. Tudo bem.

Depois de ir para o albergue, arrumar minhas coisas e tomar um banho, fui conhecer um pouco mais desse centro antigo. Então eu consegui visitar o museu da catedral, a própria catedral por dentro e o museu do peregrino. Agora sim eu estou encantado. É tudo muito lindo e encantador. A catedral e magnífica e a história da peregrinação no museu do peregrino também surpreende. Fui buscar minha Compostela, certificado que comprova toda minha viagem. Fui duas vezes no lugar onde a pega, porém estava muito cheio. Somente na terceira vez que eu fui, já no fim da tarde, é que consegui pegá-la.

Acabei me acostumando com o local, mas decidi que no dia seguinte eu iria pra Finisterra. Mesmo porque não tinha vaga pra eu ficar no albergue no dia seguinte e eu queria muito finalizar minha viagem em Finisterra.

19/05 – Santiago à Finisterra – 95 km

Amanheceu o dia com uma garoa forte. Protegi a mim e todas minhas coisas na bike. Sai em direção a Finisterra seguindo as setas pelas trilhas, mas logo tive que deixá-la e seguir pelo asfalto. Além de a trilha estar molhada, a gente acaba pegando muitas subidas e pedra pelo caminho. A velocidade média cai muito e eu já tinha reservado um albergue em Finisterra para aquele dia. Já que a distância é de 90 quilômetros, decidi que teria que pedalar no asfalto.

Depois de algumas horas pedalando, assim que eu peguei uma decida, com um forte vento gelado, e pude avistar o mar, fiquei muito emocionado, até mais do que no dia anterior que eu cheguei em Santiago de Compostela.

Finisterra é considerado o ponto mais ocidental da Europa, apesar de hoje ter uma discussão muito grande em relação a isso, onde Portugal alega que o ponto mais ocidental está em terras portuguesas, e se você olhar no mapa está mesmo; Finisterra foi considerada pelos antigos povos o fim das terras. Eles sairam em busca do lugar onde o sol se escondia, quando se depararam com o mar. Existem muitas lendas e misticismo em Finisterra e, além disso, é um lugar muito bacana. É lá que está o marco zero do caminho e o altar onde os peregrinos deixam uma peça de roupa como desapego das coisas materiais e conclusão do caminho.

Cheguei cansado e fiquei conhecendo a cidade por perto do albergue.

20/05 – pedal em Finisterra – 13 km

Foi somente neste dia que eu peguei a bicicleta e fui ao morro do farol onde se encontra o marco zero e o altar do peregrino. Passei o dia todo em Finisterra e somente no outro dia é que eu peguei um ônibus e subi para Santiago novamente.

Fiquei em Santiago mais um dia fotografando e descansando e somente no dia 23/05 é que comecei minha viagem de volta, peguei o trem para Madri e de lá peguei o avião para o Brasil.

Fazer o Caminho de Santiago de Compostela foi uma grande aventura que irá ficar marcado para sempre em minha vida. A integração cultural que eu pude ter com a Espanha e com todos os peregrinos que eu conheci do mundo todo foi alucinante. Encontrei pessoas que me ajudaram sem eu pedir, que sorriram, que me abraçaram e que me ensinaram e disseram coisas bacanas. Enfrentei subidas difíceis, frio e chuva; mas também desci várias montanhas e pude ver o sol brilhando diversas vezes acima de mim. Fiquei emocionei e chorei diversas vezes, mas também ri muito com diversas situações e pessoas. Aprendi muito sobre cicloturismo e como se virar em diversas situações difíceis.

Volto uma pessoa diferente, e é difícil quem não volte. Volto uma pessoa cheia de ideias e mais conhecimento de mundo. Volto uma pessoa mais feliz e cheia de planos.

Pra concluir eu vou deixar uma frase bacana que eu ouvi ao fim da minha viagem.

“O caminho fala”

Abraços, boas pedaladas e buen camino.

 

Sobre andandodebike

Olá, meu nome é Mauricio Gouveia, sou ciclista e fotógrafo e nesse Blog vou contar um pouco pra vocês sobre os lugares que eu pedalo e, dessa forma, quem quiser pedalar nesses lugares terá um pouco de informação de como chegar, por onde começar, distancias, dificuldades e outros detalhes. Ajudem a compartilhar e divulgar esse Blog pra que mais pessoas aproveitem as dicas e peguem suas bikes pra fazer essas pedaladas que são muito bacanas e faz muito bem pra vida. Espero que gostem e por favor comentem e deixem recados pra me ajudarem a construir um lugar interessante de informações pra quem quer se divertir de bicicleta. Abraços. Mauricio Gouveia

Recommended for you

13 Comments

  1. RICARDO MOURA

    7 de junho de 2016 at 07:16

    Ficou muito bom a suas fotos e o que voce escreveu,muito bom…parabens

    • andandodebike

      8 de junho de 2016 at 15:59

      Obrigado, Ricardo. Grande abraço!!!

  2. Luis Pardini

    3 de janeiro de 2017 at 10:54

    Parabéns pelo relato e a riqueza de detalhes.

    Estou planejando fazer em Junho/2017 e gostei das informações que você passou.

    O que acha de fazer SJPP a Pamplona no primeiro dia (saindo cedo) ?

    Queria tentar montar um roteiro para 12 dias de pedal entre SJPP e Santiago. Alguma sugestão ?

    • andandodebike

      19 de janeiro de 2017 at 17:25

      Fala, Luis… fazer esse trecho direto no primeiro dia é um pouco puxado. Você tem que estar preparado. O trecho que atravessa os Pirineus é o mais difícil, depois de Roncesvalles fica muito mais fácil. É possível mais é difícil. Acho que se você for fazer dessa forma, tente reservar um lugar pra dormir em Pamplona, nessa época tem muita gente fazendo e vc corre o risco de não achar lugar pra dormir.
      Pra fazer o pedal em 12 dias fica um pouco corrido, você acaba passando por muitos lugares sem conhece-los direito.
      Espero ter ajudado.
      Abraços e boas pedaladas!

  3. Fábio Peres

    9 de janeiro de 2017 at 11:45

    Bom dia Mauricio,
    Qual a marca e modelo da blusa de frio que vc usou durante o pedal?
    Quando vc chegou em Madri foi de ônibus ou metro até a estação de trem?
    Da estação de trem de Pamplona até o terminal rodoviário da para ir a pé?
    Pode me explicar com mais detalhes estes percursos quando chegou em Madri e foi até SJPP.

    Obrigado.

    • andandodebike

      19 de janeiro de 2017 at 18:45

      Fala, Fábio… A blusa que eu levei é Btwin, foi a blusa que eu mais usei… eu tmb levei uma segunda pele e a capa de chuva. Se você for fazer a viagem na primavera é necessário levar esses itens.
      Esse percurso dentro da Espanha vc vai ter que fazer o seguinte: no próprio aeroporto você vai ter que pegar um ônibus até Pamplona. Eu fui de trem, porém agora eles proibiram levar a bike dentro do trem, mesmo no mala bike. Eu cheguei na estação de trem e tive que pegar um táxi até a estação de ônibus. No seu caso, vc já vai descer na estação de ônibus e por lá vc já pega o outro até SJPP. Pra voltar de Santiago até Madri, eu vim de trem, mas passei um apuro, quase não consegui pegar ele por causa da bike. Resumindo, faça esses trajetos internos de ônibus. Dessa forma vc não vai ter dor de cabeça.
      Eu comprei todas essas passagens da ida pela internet, somente a passagem de volta pra Madri, no fim do pedal, é que eu comprei na hora, mas tmb quase me dei mal, peguei o último lugar.
      Espero ter ajudado. qq dúvida pode entrar em contato novamente.
      Abraços e boas pedaladas!

      • Fábio Peres

        8 de fevereiro de 2017 at 23:02

        Obrigado Mauricio, vou no dia 14/04 deste ano, já estou com passagem de avião comprada e já estava me preparando para comprar a passagem de trem, agora vou ter que mudar os planos, compensa ir de avião até Pamplona?

        Obrigado.

  4. Elenice

    18 de janeiro de 2017 at 14:50

    Olá,
    Muito bom seu blog… base para minha viagem.

    Abraços,
    Elenice

    • andandodebike

      19 de janeiro de 2017 at 18:45

      Obrigado, fico a disposição para qualquer dúvida.

  5. Elenice

    18 de janeiro de 2017 at 14:51

    Olá,
    Muito bom seu blog… base para minha viagem.

    Abraços,
    Elenice

  6. Rafael Silva

    20 de fevereiro de 2017 at 13:27

    Muito legal e belas imagens. Farei o caminho francês de bike, iniciando dia 02/05/2017. Obrigado pelas dicas compartilhadas.

  7. Marga

    31 de maio de 2017 at 11:19

    Bom dia!
    Parabéns pelo post! Tirei muitas duvidas e as informações são claríssimas.
    Gostaria de saber sobre o transporte da bike.
    Vc pagou pelo transporte? qual o Valor!
    Como ela chegou no destino? Em boas condições?
    O transporte do aeroporto de Madri até San Jean
    como foi o trasporte? de trem ?alguma exigência?
    Saiba que lendo o seu post já me encorajei um pouco mais! minhas duvidas são em relação a bicicleta!!
    Poderia esclarecer mais sobre isto?
    Obrigada!!

    • andandodebike

      8 de junho de 2017 at 08:36

      Olá, Marga!

      Obrigado por acompanhar o Andando de Bike. Em relação ao transporte da bike, eu levei a minha em uma mala bike que eu comprei no Onde Pedalar. Quando eu fui viajar, podia levar até 21 kg sem custos adicionais. O total da minha bike mais os alforges deram somente 19 kg, por isso não paguei nada a mais. Se você entrar no site da companhia aérea você tem todas essas informações.
      A bike chegou em boas condições em Madri, porém encontrei outros brasileiros que não tiveram a mesma sorte. No caso de um deles, o disco de freio entortou e ele teve que comprar outro por lá. Isso aconteceu comigo em uma viagem para o Chile. Entortou o disco, porém não foi muito e eu consegui pedalar desse jeito. então o cuidado com eles deve ser redobrado.
      Pra eu chegar em San Jean, eu sai do aeroporte de metrô até a estação de trem, peguei o trem para Pamplona, chegando lá peguei um táxi até a rodoviária e em seguida o ônibus até San Jean. Foi uma viagem longa. Mas você deve pesquisar melhor a viagem de trem até Pamplona. Segundo as últimas informações que eu tive eles estão barrando bicicletas dentro do trem. A minha teve que ir em um espaço entre as portas do vagão, então a cada parada eu precisava verificar se a saída de passageiros era do lado direito ou esquerdo e mudar a bike de lugar.
      Acredito que hoje o melhor a fazer é pegar um ônibus direto de Madri para Pamplona, mas acredito que ele não sai direto do aeroporto, você teria que ir até a rodoviária de Madri para pega-lo.
      Tem um cara muito experiente em viagens de bike pelo caminho que talvez possa te ajudar com essas dúvidas. Ele tem um site que chama Ranger Brasil http://rangerbrasil.com.br/

      Entre em contato se tiver mais alguma dúvida, te ajudarei no que eu puder.

      Abraços e boas pedaladas.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *